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Reflexão

Reflexão publicada em: 29/09/2009

Compromisso com o coletivo

Fonte: Wilson Jacob Filho / Folha de S.Paulo

Tenho conversado muito sobre os compromissos assumidos nos vários papéis sociais. Fatos recentes me incentivaram a também escrever sobre esse tema.
Todos nós, desde que conscientes e responsáveis, temos direitos e deveres em nossas atividades profissionais e pessoais. Do respeito a estes decorre a maior possibilidade de êxito, bem como as responsabilidades assumidas pelo exercício dessas funções.
Qualquer coisa diferente disso resulta em insucesso ou em sobrecarga para os demais. Isso significa, portanto, que o compromisso individual com as próprias metas e os deveres devem estar de acordo com um compromisso coletivo com, todos os que dependem do resultado dessa atuação.
Os componentes de uma orquestra, por exemplo, ensaiam arduamente para que o desempenho conjunto seja o melhor. Se um dos músicos, porém, perder a concentração ou não se preparar adequadamente, a exibição será comprometida.
Recentemente assisti à apresentação de um grupo de idosos responsáveis pela elaboração de um singelo jornal, com tiragem de apenas 400 exemplares quatro vezes ao ano. São pessoas simples, a maior parte com pouca escolaridade e sem nenhuma experiência prévia nessa atividade.. O compromisso coletivo de todos e a constante observação ás regras previamente aceitas fizeram com que atingissem seu intento.
Além da forte emoção advinda do relato dos componentes, também fiquei com uma instigante questão: o que faz uma pessoa com mais de oito décadas vividas, com a vida profissional encerrada e com direito a um merecido descanso, lançar-se em busca de uma meta tão distante da sua realidade?
A explicação foi dada nos depoimentos que se sucederam: todos declararam ter um compromisso com os demais e disseram que superar suas limitações foi á única maneira encontrada de justificar a permanência do grupo. Alguns chegaram a explicitar sua convicção de que o sucesso coletivo é mais importante do que o individual.
Muitos do que presenciaram essa apresentação foram ás lágrimas. Uma prolongada salva de palmas seguida de calorosos abraços entre todos foi a melhor forma que tivemos de agradecer aquela lição.
Demorei a me refazer do forte impacto emocional, mas, assim que consegui, ocorreu-me outra questão, ainda mais instigante, que não consegui responder: teriam sido esses senhores e senhoras tão comprometidos com o coletivo desde a sua juventude?
Se sim, assistimos ao agrupamento de pessoas privilegiadas pelo espírito comunitário, trabalhando em uma causa comum. Se não, e eu espero que essa seja a resposta certa, o compromisso com o coletivo é uma virtude que se aprimora com o tempo.
Isso me permitirá entender melhor por que encontro mais atitudes comunitárias entre os idosos e acreditar que, com a progressiva influência que esse grupo etário terá neste e nos próximos séculos, teremos muito a aprender e a ganhar.
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